terça-feira, 10 de maio de 2016


Snowden: liberdade vigiada
Na semana passada, Edward Snowden, ex-funcionário da Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos que hoje vive exilado na Rússia, fez uma nova denúncia à mídia. Segundo ele, drones alimentados por energia solar ficarão no ar por semanas rastreando os movimentos não apenas de indivíduos, mas de populações inteiras. Em artigo publicado no The Intercept, ele escreveu que esses drones poderão rastrear equipamentos como laptopssmartphones e iPads, de modo que será possível saber onde as pessoas estão e para onde vão.

Snowden disse o seguinte: “No contexto de hoje, a justificativa é o terrorismo, mas não necessariamente porque nossos líderes estão particularmente preocupados com o terrorismo em si, ou porque eles achem que exista uma ameaça à sociedade. Eles reconhecem que mesmo se nós tivéssemos um 11 de Setembro todo ano, ainda estaríamos perdendo mais pessoas por acidades de carro e doenças do coração, e não vemos o mesmo gasto de recursos para responder a essas ameaças mais significativas.”

Então por que todo esse interesse em vigilância antiterrorismo? De acordo com Snowden, o maior medo da liderança dos Estados Unidos é ser acusada de ser fraca em face dos desafios modernos. “Nossos políticos estão mais temerosos das políticas do terrorismo – da acusação de que eles não levam o terrorismo a sério – do que do crime em si mesmo”, ele escreveu.

Já na Europa, a preocupação de alguns políticos tem sido outra, além do terrorismo, é claro. Num artigo publicado na revista The Parliament, Thomas Mann, do Partido Europeu do Povo, menciona que, seis anos atrás, 72 organizações iniciaram a primeira conferência europeia sobre o domingo sem trabalho. Juntamente com mais de 400 participantes, foi feito um apelo oficial ao Conselho Europeu, ao Parlamento e à Comissão. Mann escreveu o seguinte: “Nossa mensagem para as instituições foi esta: defendemos um domingo livre de trabalho para todos os cidadãos europeus, estabelecendo o domingo como um dia livre de trabalho dentro das diretivas de regulação do trabalho. A conferência foi um alicerce para a criação da Aliança Europeia do Domingo, em 2011. Subsequentemente, decidimos estabelecer um grupo de interesse no Parlamento Europeu, o qual eu tenho a honra de co-liderar. Meu colega dinamarquês Ole Christensen lançou um rascunho de relatório sobre o contexto estratégico da União Europeia sobre saúde e segurança no trabalho, no período de 2014-2020. Em minha opinião, o número que chama mais a atenção é que, a cada ano, mais de quatro mil trabalhadores morrem por acidentes de trabalho e são contraídas 150 mil doenças fatais relacionadas ao trabalho.”

Saúde e segurança no trabalho, além dos já conhecidos argumentos em favor da família e da natureza, são temas mobilizadores. Mann garante que dados de pesquisas da União Europeia sobre condições de vida e trabalho e entrevistas com mais de 43 mil trabalhadores em 35 países demonstram que o trabalho aos domingos está associado com um risco muito maior de acidentes, doenças, problemas de saúde e efeitos negativos em participação social e interação.

“Isso se deve mais provavelmente ao fato de que o domingo é, tradicionalmente, um dia de descanso, lazer e atividades com participação social”, escreveu o político. E disse mais: “Existe uma diferença decisiva entre o domingo e qualquer outro dia livre na semana. Nos domingos, temos a possibilidade única de relaxar e gastar tempo com a família e os amigos. Então o domingo é um equilíbrio [na relação] trabalho-vida, e são ambos fatores cruciais no debate sobre saúde e segurança no trabalho.”

E ele finaliza o artigo fazendo uma conclamação: “Precisamos defender os trabalhadores contra a filosofia do empregado-sempre-disponível. Parlamentares e a União Europeia devem defender lado a lado conosco a guarda do domingo como dia de descanso, recreação e serviço religioso.”

Só não vê quem não quer que o cenário profético descrito na Bíblia e em livros como O Grande Conflito está perfeitamente montado. Por um lado, vemos o dragão do Apocalipse afiando as garras e incrementando sua capacidade de vigilância sobre o mundo, usando como justificativa o conhecido argumento do combate aos terroristas e fundamentalistas. Por outro lado, vemos avançar as propostas simpáticas em favor do descanso dominical, uma ideia que está conquistando o planeta, o que tornará fácil sua aprovação em forma de lei, num futuro próximo. Todos concordarão com essa lei, exceto um pequeno grupo que se manterá fiel à de Deus na Bíblia e que, por isso, será visto como teimoso, fanático e fundamentalista, e certamente poderá ser um dos alvos principais dos drones caçadores.

Teoria da conspiração? Quem viver, verá.

Michelson Borges

(Com informações da revista The Parliament e do site RT Question More; colaborou: Alexsander Silva)

Drones espiões e descanso dominical na Europa